quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Leite é amor - O meu caso com a amamentação- #Blogagem coletiva.




Dia 1 de agosto foi o dia mundial da amamentação,
e eu vou contar a minha história pra vocês, amigas do peito-murcho.
Tenho uma historinha linda e que se encaixa perfeitamente no tema proposto pela nossa amiga Nívea.
Eu tinha decidido junto ao meu médico que não iria amamentar, porque como alguns sabem, eu tive problemas na gravidez, ou antes dela. Eu sofria de uma paradinha chamada síndrome do pânico: o terror noturno/diurno dos adultos estressados.
Uma doencinha mais ou menos que te tira do prumo e faz você olhar no espelho e dizer que você não é você. Aí você conclui que está louca e acredita nisso piamente. Você está louca!
Os meus sintomas começaram a aparecer uns 4 anos antes de eu engravidar, e eu tomava remédios pesadíssimos, daqueles pintados de preto na caixa sabe?Então não poderia engravidar, certo? Até que me descobri grávida.
Depois da diárreia nervosa, liguei para avisar meu então marido, mas antes de mais tudo, liguei pra avisar meu então médico psiquiatra. Meu então medico psiquiatra me deu os entãos parabéns e uma então recomendação, assim, em caps lock: PARE JÁ DE TOMAR SEUS REMÉDIOS.
Entrei em um então pânico de ter pânico. Quem padece desse mal sabe, é pior que assombração.
Acatei a recomendação, ou melhor, ordem do meu médico e joguei as drugs fora, junto com um vômito incontido de alegria e desespero.
Os primeiros três meses foram quase lindos, até eu ter uma crise de taquicardia enquanto comia um frango frito com polenta. Avisei a minha família (e o restaurante inteiro) assim: ESTOU MORRENDO. SALVEM MINHA CRIANÇA.
Era o pânico.
Passada a crise, telefonei pro médico, implorando por remédios. E ele foi taxativo. NÃO. 
Passei os 6 meses restantes ligando para o pobre diariamente. Eu disse di-a-ri-a-men-te; chorando, e pedindo pelo amor de Deus que me tirasse daquele redemoinho.
E ele me dizia: assim que ela nascer, vou no hospital te levar 3 caixas de remédio embrulhadas pra presente, no dia que ela nascer, eu prometo. Só que tem um porém, você não vai poder amamentar.
Aceitei na hora, porque meu estado era de lamentável pra baixo.
Ela nasceu, e só pude vê-la 2 horas depois, quando passou o efeito do dormonid ou sei lá o que que me deram. Enfiaram aquela coisinha gosmentinha debaixo da minha asa e ela ficou procurandodo meu peito enquanto eu cantava Amor I love you no ouvido dela, com a voz mole.
Ela tava esfoemada e taquei o peito na boca dela. Era melhor pra mim? Não. Era melhor pra ela? Sim.
Só que ela não conseguia sugar. Fiquei desesperada achando que ela tava sofrendo de fome. Persisti. Meu peito sangrou, infeccionou, ficou em carne viva e eu chorava, chorava de dor mas chorava mais ainda de vontade de superar essa dor. Eu tirava o próprio leite e colocava num copinho pra ela tomar, ela tomava, mas era pouco. Meu peito sangrava e ela chorava. Eu chorava mais e insistia. Até que depois de 6 intermináveis dias, ela pegou meu peito e mamou por longos 30 minutos. Foi a alegria misturada com dor mais intensa que eu já senti.
Neste dia lembrei de ligar pro médico, (tinha esquecido que eu não poderia amamentar), e ele mandou decidir: ou a amamentação ou os remédios.
Optei por segurar o rojão, sozinha com a minha doença latejando em cada célula do meu corpo, e me apoiar em todo aquele amor que eu precisava e queria dar a ela.
Eu sofri, e não tem como mensurar nem contar o quanto eu sofri, porque sofrer é uma coisa solitária. Só quem sofre sabe o tamanho da profundeza do seu sofrimento; então besteira eu tentar explicar aqui, mas a sensação que eu tinha era mais ou menos como se eu tivesse que lutar de hora em hora contra um leão esfomeado para que eu e minha filha pudéssemos sobreviver.
As noites em claro pioravam muito meu quadro, mas eu passava por cima e pensava comigo, é so mais hoje, e eu to aqui por ela.
Eu, Giuliana, era a última pessoa que importava naquele momento. Era o amor que eu sentia por ela que me mantinha em pé, me sustentava.
Avisei o médico que ao completar seis meses de amamentação exclusiva, eu voltaria aos remédios, porque esses seis meses seriam inteiramente dedicados a Lulu e a livre demanda de leite. Livre demanda aqui, significou mamar de hora em hora ao longo do dia e também da noite, por 6 meses.
 Acontece que ela fez seis meses, e eu achei que ela acordaria adulta e falaria, chega de mamar aqui. Mas não, ela não quis parar e nem eu. E decidi ir até onde ela quisesse, afinal a atriz  principal era ela, e eu, só uma coadjuvante. E ela quis até completar 1 ano e 15 dias.
Um ano e quinze dias de livre demanda, de peitos inchados e doídos, de conchas cheias, de sutiã com absorvente, de peitos ao ar livre, de peitos no shopping, de esconde-esconde de peitos, de olhares de reprovação, de olhares de aprovação, de olhares curiosos, de intenso sofrimento psicológico, de uma luta infernal contra minha própria mente, mas sobretudo, um ano e quinze dias de intenso e soberano amor. Que foi o que venceu no final. O amor pela minha Lulu.
Se fosse hoje, eu faria tudo de novo e sem pensar. Uma doençazinha de merda* não pode ser maior que o amor de uma mãe pelo filho. Não mesmo.


PS: *Como eu já disse em outro post, a síndrome do pânico infelizmente não é uma doençazinha de merda. Não é frescura, não é coisa de gente fraca.
É uma dor intensa de quem sofre mas não consegue achar o caminho da saída.  É um desamparo e uma solidão sem tamanho e sem fim.
A realidade se distorce e se torna distante, como se você fosse expectador do próprio sonho. Você acha que não é você. Despersonalização é um dos sintomas.
É uma doença e tem que ser tratada como tal, com remédios e terapia. Quem tem, sabe que o sofrimento e a luta são diários. E que um simples banho pode ser a coisa mais assustadora do mundo. Alguns casos são leves, outros pesados. Na minha pior fase, antes da gravidez, eu cheguei a ficar 5 dias sem sair da cama e sem comer absolutamente nada. Perdi 6 quilos e tinha certeza que tinha perdido a lucidez. Graças ao meu médico, Dr. Guilherme, que pacientemente me amparou, eu consegui superar a mais punk das fase, a dos primeiros vinte dias de remédio. E graças a ele também, que ouvia as minhas súplicas durante toda a minha gravidez, pude me segurar até onde consegui. Voltei com os remédios 1 ano e meio depois de Lulu nascer, depois de passar uma tarde numa maca de um pronto socorro, inconsciente.
Há 5 meses, diminui a dosagem do remédio e tomo menos da metade da dose inicial.
Pretendo parar de tomar nos próximos meses, ou se minha menstruação não descer ate amanhã..... BRINCADERA GENTE. 

                                                            Leite é Amor.jpg
Incentivo a doação de leite. Saiba mais no blog www.mildicasdemae.com.br

32 comentários:

Iza Mirelly disse...

Seguindo seu blog , Gosteei ,

http://mamaesonhodevalsa.blogspot.com.br/ esse é meu blog dar uma olhadinha lá , tá recentes , pois criei um tempinho desse !

Lu Azevedo disse...

Sua história de amamentação é a mais LINDA que já vi. Já tinha lido outro texto seu antes, mas este está de uma. doçura de matar. Parabéns pelo bom humor e leveza com um assunto tao serio!

Bjs

Lu

nicolandoporai.wordpress.com

Vanessa Cavasotto Leite disse...

Sei bem como é. Tb parei as drugs assim q soube estar grávida e no meu caso, graças a Deus, não tive crise durante a gravidez nem amamentação. Crise de riso, crise de sono, crise de mau humor intenso, crise de muito sono, mas sem pânico. O danadinho foi querido comigo e só voltou quando o Luke parou de mamar, com 10 meses e meio. Mesmo assim veio gradualmente e voltei a tomar remédio assim que ele deu sinal.
Amamentar é a coisa mais linda que já fizemos. Acho que até mais lindo que gerar, pois é voluntário, exige um amor acima de qualquer outra coisa, uma paciência enorme e muita dedicação. E bem assim, somos só coadjuvantes e nem pensamos na gente, só nesses bichinhos encantadores.
Adorei conhecer mais um pouquinho de vcs, sempre me identifico muito! Beijos

Ludmila disse...

Tava sumida hein Giu! E eu aqui sedenta por um post seu, e valeu a pena esperar, voce é fantastica! Beijos

Ivna Pinna disse...

Incrível. Como só vc sabe ser!

Beijos

Francine Barrionuevo disse...

Faço minha as palavras da Lu Azevedo,
esse texto é incrível!!! Parabéns por sua força e garra no propósito da amamentação. Virei sua fã!!! bjo grande

Bárbara Rodrigues, disse...

Que história! Parabéns por ter superado tudo isso com tanto amor!

Maria Paula disse...

Sigo seu blog algum tempo e adoro seus posts...dizem que nada é por acaso nesse mundão de Deus..soube hj que vc como eu sofre de Sindrome do Pânico, faz quase seis anos que parei de tomar os medicamentos...ainda tenho algumas crises (mas graças a Deus são bem expassadas), me decidi parar qdo um médico me disse que jamais poderia parar de tomá-los e pensei comigo Quem é ele para decidir meu futuro e meus sonhos? Quem é ele que diz que não poderei ser mãe um dia? Coloquei que seria mais forte que a doença e fui parando aos poucos com os remédios ate me sentir preparada para largá-los de vez (vc vai saber a sua hora)...ainda não sou mãe, mas o desejo de um dia ser me ajudou muito naquela decisão...Sempre levo comigo um lema que li em um site: eu tenho síndrome do pânico,mas ela não me tem....bjs
Maria Paula

Anônimo disse...

Giu, que texto lindo! Me emocionei de verdade! Parabéns pela força, pela persistência! Valeu a pena! Hoje a Lulu se tornou uma menina saudável e continua linda! Você é uma guerreira! Nunca deixe de acreditar em si mesma, e procure sempre o melhor pra vc e pra sua pequena. Vcs merecem!
Beijo.
Rafaella

Anônimo disse...

Achei esse post o mais lindo do mundo. Obrigada por falar abertamente sobre o assunto.

Jéssica Amorim disse...

Chorei pa carai....o post mais lino, do amor mais lindo do mundo. E olha, a cada narrativa de amamentaçao, dor, sangue etc eu tenho mais medo...mas mais vontade ainda de ser mãe.

sueli disse...

Realmente, emocionante. Diria "quase"triste. Só não o foi pq conheço vc e sua Lulu e sei que o amor que ela sente por você, faz superar qualquer aflição e sei também que a reciprocidade é verdadeira. Ainda batem de frente com o relógio (a falta de sono dela), mas sei também que logo logo o "Lulu não dorme", será mais um lance vencido na escalada da vida.
Continue escrevendo sempre, com todo o seu amor e leia prá ela, para que ela saiba o quanto vocês duas são queridas pelos leitores que não desgrudam os olhos da telinha a espera de um novo post. Beijos. Azamu

Nívea Salgado disse...

Oi, Giuliana,
Você acabou de me deixar em lágrimas... Parabéns por sua força de vontade em amamentar, é dessa fibra que são feitas as mães, concorda?
Um grande bj, obrigada pela participação na blogagem, espero manter contato!

Sandra Hellen Kautto disse...

Só digo uma coisa: Parabéns sua linda!!!

Liza disse...

Superação... O que a gente não faz em nome dessas pessoinhas, não é não?

bju

Mamãe Roberta Soares disse...

Chorei com sua estória, muito linda!!!! O meu post está no meu blog http://matheusmeucoracao.blogspot.com.br/2012/08/leite-e-amor.html

Ana disse...

Bravo, bravo!!!

Luciana disse...

LINDA sua história Giu! A minha foi bem parecida, mas até a parte de sangrar, infeccionar e etc e tal.
Um filho nos faz enfrentar insonia, doenças e leões, assim vamos vivendo..
Venho aqui todo dia ver se tem post novo rs

Anônimo disse...

Só Deus pra te sustentar. meu esposo teve e eu como esposa e co-participante da sindrome dele, sei o que vc passou e passa. Mas com fé e como vc disse, tratamento, vc vai conseguir superar. Meu esposo nao toma mais quase nenhum medicamento e nao tem mais crises( um ou outra quase nunca, de baixissimo nivel)...E ele tb parou de comer, de trabalhar, sair de casa enfim..força!
E vc escolheu logico o melhor pra Lulu! Mae é isso: RENUNCIA.

Aline Rodrigues Cunha disse...

Eu estava com saudades dos seus posts... Estou grávida de 4 meses e adorei seu blog... Indicação de uma amiga que tem uma linda menininha chamado Sophia... Parabéns pela iniciativa, pela coragem e pela Lulu, que além de linda é a razão de tanta inspiração para seu blog!!
Bjos e não suma!!

Gisa Hangai disse...

Incrível o que o amor faz com uma pessoa. Dor nos peitos, pouco leite, cansaço, desânimo??? Isso é que é incentivo. Parabéns!!! Estou seguindo você ok? Beijo, Gisa Hangai do Blog www.maebacana.com.br

Emanoelle Wisnievski disse...

Caramba!!! Incrível como vc sabe colocar riso e lagrima no rosto da gente de uma só vez.

Ursula Taraleskof disse...

Nossa adooorei vc!!!! Quando minha filha nasceu em 14/06/12 recebi uma revista do hospital ( MUlher e Mãe) , só hj 24/10, tive tempo de folheá-la , quando na última página me deparei com o seu texto - Morta de sono - eu ri tanto!!! Tinha tempo que não ria de outras coisas que não fossem as gracinhas da minha filhota, estava precisando rir, me fez bem. Vc escreve muito bem!!!
Graças a Deus minha pequena dorme a noite inteira desde os 2 meses, o médico dela falou que ganhei na loteria, e acho que ele tem razão, ainda mais depois de ler seu texto.Fiquei morta os primeiros meses, andando que nem barata pela casa cantando uma musiquinha que lá pelo meio da noite , parecia até música de filme de terror!!! Thurururu, thurururu...Agora escrevendo isso, penso até que pode ter sido a música que não deixava ela dormir!
Mas eu tb com minha inúmeras neuroses, pego ela dormindo lá pelas duas e outra mais ou menos cinco da madruga e coloco ela no peito, pq fico preocupada dela ficar muito tempo sem mamar...
Bem ela dorme a noite inteira, mas fica o dia inteiro acordada no maior pique,cansa bastante, tem horas que não sei mais o que fazer com ela, coloco no berço, ando pela casa, brinco,vejo a galinha pintadinha, mas minha criatividade está acabando! Sou louca por ela e tudo vale a pena!
Felicidades pra vc e pra Lulu!

Ursula Taraleskof disse...

Agora escrevendo isso, penso até que podia ser a música que não deixava ela dormir!

Ursula Taraleskof disse...

Adoreeei vc!!! Minha pequena nasceu do dia 14/06/12 e quando saí da maternidade ganhei uma revista chamada ( Mulher e Mãe) , só hj tive tempo de folheá-la e me deparei com o seu texto - Morta de sono- na última página, ri muito, adorei, vc escreve muito bem!
Minha pequena graças a Deus dorme a noite inteira desde os 2 meses, o médico dela diz que eu ganhei na loteria, e depois de ler seu texto, passei a acreditar ainda mais nisso. Os primeiros meses foram punk, andava a pela casa que nem barata, cantando uma musiquinha que lá pelo meio da noite parecia até música de terror, thururururu, thururururu... Agora escrevendo isso me veio a cabeça que pode ter sido essa musiquinha que não deixava ela dormir!!!!
Felicidade pra vc e pra Lulu!

Madá disse...

uau!!!!!! Ju, você é muito corajosa, guerreira e tem fraquezas como todos nós. Amo o seu jeito de escrever a vida.
Beijão.

Lorayne Bianchini Neri disse...

olá, uma amiga me indicou esse txto, disse que pensou em mim quando leu, e estava certa: eu me identifico muito com voce, mas no meu caso, tenho verdadeiro pavor de pensar em ficar gravida, por que tenho uma fobia chamada emetofobia,(medo de vomitar) , estou casada a mais de 2 anos e ENTERREI o meu sonho de ser mãe, Sindo muito medo dos tals enjoo da gravidez, que nem sei se eu terei, sofro dessa doença a 10 anos, tomo remedios... sentiria muito feliz se pudéssemos conversar sobre o assunto, meu email lorynbianchini@hotmail.com bjos... Parabens pela força "amiga"

Anônimo disse...

Acabei de enxugar duas lagrimas aqui! Tb sofri com a amamentação com os peitos sangrando e amamentando mesmo com a maior dor do mundo, eu mordia o travesseiro e gritava e silencio, tudo por amor a ela, aquele serzinho faminto... Seu desabafo é uma verdadeira inspiração de força!

Anônimo disse...

sei bem como é estou passando por td isso a síndrome começou com a gravidez foi até o sexto mês e voltou a 2 meses meu bebê fez quatro meses, e por amor continuo amamentando e lutando contra essa coisa que tenta ser mais forte mas vou vencer em nome de Jesus

Anônimo disse...

sei bem como é estou passando por td isso a síndrome começou com a gravidez foi até o sexto mês e voltou a 2 meses meu bebê fez quatro meses, e por amor continuo amamentando e lutando contra essa coisa que tenta ser mais forte mas vou vencer em nome de Jesus

Anônimo disse...

sei bem como é estou passando por td isso a síndrome começou com a gravidez foi até o sexto mês e voltou a 2 meses meu bebê fez quatro meses, e por amor continuo amamentando e lutando contra essa coisa que tenta ser mais forte mas vou vencer em nome de Jesus

Tatiana Lopes disse...

Passo pelo mesmo problema. Já estou num nível de só sair de casa de táxi na porta e passar no máximo duas horas na rua. Como engravidei e estou amamentando, tive que parar os remédios. Mas a pior sensação é mesmo a despersonalização. Meu deus, que pesadelo. É um torpor misturado a uma quase não existência. Vc não se sente estando nos lugares, e a realidade é meio embaçada. Parece um sonho (ruim), no qual vc se vê fora do sei corpo. No início eu me beliscava pra ver se era real. Hoje em dia não faz mais efeito. Algumas pessoas acham q é frescura, mas se passassem por isso, iriam pensar duas vezes antes de criticar.