quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Imagine all the people....


Tava aqui varrendo e tirando o pó do blog quando achei um post escondido nos rascunhos e resolvi postar porque eu realmente estou muito tchutchuca nessa foto que decidi por não postar por motivos de me proteger de possíveis processos porque é um assunto delicado.

Então que chegou aquele momento que maidiameno dia iria chegar (afogado em chororôs, manhas e dúvidas). Acompanhem:
-Quero ficar com meu pai, mas também quero ficar com você. Podemos morar todos juntos?
Ai meu miocárdio, como responder sem derrapar na curva?
Sem sambar no molhado? Sem engasgar com a noradrenalina?
Acontece que mês passado fomos para praia e lá passamos um lindo e ensolarado domingo nesse modus operandi: eu, ela, meu noivo (já contei que tô noiva? Não né? Então, tô noiva!) e meu enteado. Até aí tudo normal né? Então, estavam também o pai da Lulu e a noiva dele. Sim, todos debaixo do mesmo guarda sol e besuntados com o mesmo sundown.
Acho isso uma coisa ótima, a convivência pacifica e amigável entre todos deve fazer muito bem pra criança, mas talvez isso tenha dado um nozinho na cabeça da Lulu e ela encanou que poderíamos viver numa florida aldeia hippie woodstokiana, cheias de pelos no sovaco, onde jonh lennon tocaria Imagine enquanto almoçávamos camarão na moranga ao molho de LSD e assim, viveríamos todos juntos como uma grande família disfuncional.
Mas calma lá. Quando voltamos à terra firme, cada um no seu quadrado, naturalmente.
Mas porquê, ela me pergunta. "Porquê TEM que ser assim, mãe?"
Ela adora o padrasto e a madrasta. Ela adora os pais, claro (espero) e quer todos juntos, sempre. Natural.
E agora, lhes pergunto: como fazer ela suportar a saudade de um ou de outro  quando está longe e que isso é normal e que a vida é complexa e injusta -na maioria das vezes- e que unicórnios cor-de-rosa não existem?
Como, meu deus, explicar que no futuro a mãe vai morar só com o tio Fer e o pai vai morar só com a tia Fer  (a escolha dos respectivos noivos de codinome Fer foi proposital pra não confundir mais a cabeça dela- brinc.) sem machucar esse coraçãozinho puro e inocente? Hein? Como?

É, filha, crescer é doído e às vezes bem doido também. Mas o bônus é que todos os envolvidos te amam e isso é bem legal. 

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Carta para Rita Lee


Querida Rita Lee, tudo bem com você?

É o seguinte: hoje, dia 25/07 a minha filha está completando quatro anos de vida e me pediu um presente de aniversário e eu, na minha obrigação de mãe, estou disposta a ajudá-la a conseguir o tal presente.
Ela não me pediu bonecas, nem pelúcias e nem um cachorro (ok mentira! pediu sim, mas não foi só isso); Nalu tem um sonho e com toda a doçura e  prepotência que só uma criança de quatro anos pode ter, me pediu pra convidá-la pra jantar aqui em casa.
Sim, jantar.
Eu sei, sua agenda é bem cheia e nem sei se gosta de omelete, então sinta-se a vontade pra recusar o convite, embora vá deixar minha filha bem arrasada. Prefere strogonoff?
Nalu foi apresentada a você aos dois anos, no rádio do meu carro e ficou encantada com a música e com a voz da “Lita”. Chegando em casa me pediu pra ver a cara da “muié que cantava dicupa o auê”. Pois bem, procurei no youtube e achei o clipe do “Tudo vira bosta”; distraidamente apertei o play. No dia seguinte ela não queria comer o lanchinho da escola porque ia virar bosta. E nem filé minhão, champinhão e muito menos arroz feijão. Foi aí que ela se apaixonou por você eu acho, já que ela nunca foi muito de comer e agora tinha uma boa desculpa. Confesso que fiquei muito puta com você por isso, Rita, mas já passou.
A partir desse dia ela deixou de lado todos seus dvs e cds da barbie, backyardigans e bananas de pijamas e passou a dar a atenção única e exclusiva às suas músicas. Hoje ela já canta- e muito bem (sou mãe, você entende né?)-umas 12 músicas inteiras; diz que quer "nascer de cabelos vermelhos" e me pede dia e noite pra eu comprar olhos azuis; além disso, cada vez que me desobedece  manda um “eu não queria magoar você”, e quando tá brava me xinga de “você é pior que cobra cascavel”; quando eu digo que o cabelo cai quando não tomamos banho, ela me responde com “deus me proteja da sua macumba, deus me salve da sua praga, deus me livre o guarde de você” É... é bem difícil manter a pose de brava nessas horas, confesso.
Dia desses descobriu aqui em casa aquele cd em que você interpreta Beatles e mal acreditou no que ouviu: “mãe! Ela sabe falar inglês! Não quedito! E ela canta isbinahard dai nait certinho!”
Ela é louca pelos Beatles também, mas ela nunca me pediu pra ir no playground com John Lennon, graças a deus.

Enfim, Rita, esse é o sonho da Nalu e ela anda meio aflita. Semana passada me disse que o aniversário dela estava chegando e tinha que conhecer você LOGO. Eu perguntei o porquê dessa pressa toda e ela me respondeu: “bem main ...ela já tá com 300 anos e não vai durar muito. Pufavô”

Então diante disso, me vi obrigada a escrever-lhe o quanto antes.

Obrigada pela atenção,
minha ovelha negra te manda um beijo grande.

Abraço esperançoso,
mãe da Nalu.

PS: Ela acha que esta carta nunca chegará até você porque você “mora longe” então me pediu pra mandar um ‘tuit’ e acaba de me lembrar que tem que ser a Rita Lee real, não a imitação.  Que deus me ajude. Amém.


Aí vai uma pequena amostra do amor e talento de Nalu. 


segunda-feira, 22 de julho de 2013

Repostagem- É pique! é pique! é pique! (haja pique...)

Quero pedir licença a Revista Pais&Filhos para repostar meu texto sobre os 4 anos de Nalu. Quero deixar registrado aqui, e pra quem não leu, aí vai.

Minha menina completará quatro anos.Quatro.Olho pra essa moça e ela ainda é um bebê, olho pra esse bebê e ela já é uma moça.

As crises de birras acabaram agora que ela já é ‘criança crescida’ e se comporta como tal, certo? Errado. A calmaria dura uma semana- ou nem isso – e iniciam de novo porque ela é um bebê, oras. Bebês são birrentos mesmo.As palavras saem de sua boca de um jeito assustadoramente correto, concordando em gênero, numero e grau. Ela diz ter “certeza absoluta” das coisas e deseja que alguém vá “conosco”, mas às vezes ela quer comer “picoca” e ver “tevelisão”.
Luísa é altiva, independente, faz xixi sozinha e sempre solta minha mão pra atravessa a rua; a Anna quer colo, tetê e chupeta. Ou essa seria Luísa e a outra Anna? Não sei.
Tem minuto que ela me odeia e viro a “pessoa mais chata do mundo”, deseja ficar sozinha ou “morar sozinha” e não quer mais ser minha filha, e, no minuto seguinte “eu amo você mais que tudo, coisa gotosa do meu mundo”.
Tem dias que acordo doente e ela não tá nem aí,”acorrdaaa logo”, tenho que levantar da cama e cumprir meu papel de mãe (e uma mãe bem exigida diga-se de passagem); em outros dias, ela traz o termômetro e me cobre com seu cobertorzinho, me empresta a naninha e diz pra eu ficar “tanquia”. E eu fico.
Luísa é apaixonada pela Rita Lee, Barão Vermelho, Beatles e Rolling Stones, e Anna gosta de Palavra Cantada,Patati Patatá e Backyardigans. (ainda não sei se a ordem é essa.)
As duas são uma miscelânea incrível de ternura e teimosia, coragem e medo, alegria e raiva, amor e ódio, sim e não,  silêncio e tagarelice, vaidade e pé sujo de lama. A Bela e a Fera.
Amo as duas intensamente cada uma a seu modo.
A bebê e a mocinha, a Anna e a Luísa.
A mistura, a Nalu.
........Filha, dia 25 é o seu dia (como se todos os outros não fossem...) e eu quero te dar um presente, mas não um presente qualquer, quero te dar um presente que possa ser lembrado pra sempre e guardado na memória e no coração até quando der. Não, não tô falando do furbie, nem da barbie sereia e nem nada disso. Eu quero te dar a recordação do melhor aniversário da sua vida. 

Quero reunir as pessoas que você mais ama em volta da mesa do bolo, celebrando e comemorando com você, igualzinho aquele 25 de julho gelado e ensolarado de 2009.
E ali, filha, junto com você, estará a sua vó, seu vô, suas tias, sua bisa, seu pai e sua prima querida e eu, claro. Todos juntos pela primeira vez depois que eu e papai separamos.
Esse é o meu presente e espero que goste. Não vou nem embrulhar, tá?
Feliz quatro anos, mon tout.
Te amo. 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O médico e a monstra



Gostaria de saber quem determina o que é certo e o que é errado nesse mundo infanto-infantil. Por exemplo: quem, disse que botar a criança enroladinha feito um charutinho árabe é bom pra ela? E quem disse que não é? Que o choro é de cólica e não de assuntos mal resolvidos na maternidade (vá saber ne?). Quem disse que a febre de 37.5 é proveniente do dente canino esquerdo e não de uma otite? Que cocô mole é sempre virose e não uma maionese estragada consumida atrás da geladeira da bisa?

Existem enes isso é bom isso é ruim , isso é aquilo, isso é isso, isso não pode, isso pode e acho que o que funciona mesmo é a tal da intuição materna. Quando se tem uma.

Nalu anda gripada. Uma gripe que se instalou em sua HD e permanecerá até o feriado da proclamação da república, pelo visto. Já que minha intuição é 3g e anda bem falha, resolvi levá-la ao médico a fim de categorizar essa bendita tosse que não passa.

-Bom dia Tuco, Lulu anda com uma tosse terrível, ininterrupta, encorpada, corpulenta, catarral, daquelas que surgem do fundo do pulmão e que não deixa ela nem ninguém neste planeta dormir, sabe qual?
-Hm sei.... ininterrupta quanto?
-Ah tipo o dia todo.
-Mas agora ela não tá tossindo.
-Pois é, coisa não? Lulu, dá uma tossidona aí pro tio ver de que família ela é.
-Num queo tussi.
-Uma tossidinha daquelas que cê da de noite então.
-Num.
-Filha, tosse!
-ã-an.
-Então assobia.
-Oi?
- Assobia aí o hino do palmeiras. Não viemos até aqui à toa! Ou arrota o abedecário.
-Ok, Giuliana, não precisa, acho que já entendi a descrição que você me fez da tosse. Tem muito pelo lá né?
-Pelo? Lá?
-É. Tá com muito?
-Vix Tuco, se tá! Cê sabe quanto tá uma depilação? A virilha tá pela hora da morte e agora só em casos de urge.....
-Lá na sua casa, digo. Você tem muitos gatos, não é?
-Ah sim.
-Ok, acho que essa tosse é alérgica, vou passar um específico então. Você me liga na sexta?
-Sexta agora? À noite?
-Sim, pode ser umas 19h.
-Opa, ligo sim! Mas acho que essa sexta eu já tenho compromisso... sorry.
~Cara de paisagem morta~
-Eu só quero saber se ela melhorou.
-Arran, vou acreditar ;)

P.:O que será que leva uma pessoa a não rasgar o diploma diante de uma mãe dessa? R.: Muito amor pela profissão.