Inspirada por Flávia Werlang, baixou
o espirito mãe-solteira-sim-e-daí? e resolvi botar pra fora os incômodos (dos
outros) sobre essa minha condição matérnica.
Desde que me separei, eu saio
com minha filha para passeios e afins, só eu e ela, ela e eu; e nesta última sexta-
feira, resolvi levá-la na pizzaria mais badalada e cheia de famílias felizes de
Jundiaí. Coragem? Muita.
Pedi uma mesa para dois. Duas,
no caso.
- - Dois lugares,
mais um cadeirão, senhora?
-
-Não senhor. Dois lugares e ponto.
Mas mesmo assim, o gentil e solícito garçon
colocou mais um prato, just in case. Vai-que-né? Aparece algum salvador e tira
essas duas dessa maldita solidão.
Sentamos na nossa mesinha e
escolhemos nossa pizza. Pessoas passavam olhando como se eu tivesse uma perna
amputada num acidente de trator no meio de uma rodovia deserta. Com cara de dó.
Como se fossemos duas pobres coitadas. E isso é frequente senhoras e senhores!
As pessoas sentem pena de uma “mãe largada com uma filha pra criar.” Acreditem,
em pleno 2012.
Eu e Lulu somos BR (bem
resolvidas, como diz a dinda) e lidamos bem com esse tipo de coisa, mas as
pessoas se incomodam, minha gente! Se incomodam demais a ponto de me chamarem
num canto e dizerem “fica tranquila, linda, eu acho que vocês ainda voltam. Ele
só tá aproveitando um pouco pra galinhar, sabe como é homem né? Mas tenha
paciência, vocês formam uma família linda e Deus vai uni-los de volta. Tenho
fé”. Tá. Fique com sua fé empoeirada e use-a para conselhos mais edificantes,
minha senhora. Essa foi a minha resposta, educada juro, e sorridente, também
juro. Porque hoje em dia costumo achar graça.
Mas nem sempre foi assim. No começo me
incomodava com esse tipo de comentários, como no dia em que eu, ele e Lulu
saímos para comer um sushi e no meio do jantar, uma moça que nem nunca vi na vida
me chama pelo nome e diz “eu me emociono de ver vocês dois juntos. Sempre te
vejo sozinha e me da um dó. Eu acho que ele ainda vai pedir pra voltar!” OE???
Agradeci o comentário e comi meu sushi-com-gosto-de-derrota e fui embora triste.
Triste porque ainda era leiga nesse assunto. Não sabia lidar e vai que ele
pedia mesmo, né? Rá. Hoje em dia mato no peito (murcho)
Será que é tão difícil pra
essa sociedade quadrada entender que fui eu Giuliana, a MULHER, que pedi a separação? Que EU QUIS me separar,
que aquela vida não estava me fazendo FELIZ, que eu decidi correr atrás da
minha FELICIDADE e jantar numa sexta feira a noite numa pizzaria lotada de
famílias felizes me faz feliz também porque Anna Luísa É a minha família e
ponto?
Não sofremos de solidão, não
somos abandonadas, não somos sozinhas, e muito menos amputadas emocionalmente.
Eu hoje sou o resultado muito
bem sucedido de uma escolha eu EU fiz 1 ano atrás, mas o preconceito transforma
as pessoas em terapeutas matrimoniais.
E se eu esboço um namoro com
alguém-que-não-o pai-da minha filha? Eu sou obrigada a esconder meu namorado
dela? Não.Obvio que não vou ficar apresentando a ela os 9.456 caras que eu saio
(?Oi?Oi?ô????) mas se tem um que valha a pena, porque não? Tem amor? Tem. To feliz?
To. Ele nos trata bem? Super. Então qual o problema? “Nao se apresenta namorado pra filha. Cria
traumas” Peralá. A menina em questã
assistir a um casamento desmoronado, que passava longe do amor e do respeito é
mais saudável que ver sua mãe feliz com outro homem que não o pai dela?
Eu optei pela separação, eu
optei por voltar ao trabalho, eu optei por viver sozinha com ela e, se em (?muito?) breve optar por assumir um namoro, vou
fazê-lo sim! Porque isso me faz feliz. E uma mãe feliz e realizada (and apaixonada) faz milagres na vida de uma filha. Ela
tá até dormindo gente. Tá mentira. Mas
tá mais feliz também, porque eu, a mãe, tô. E isso é nítido.
E o que mais me surpreende
nesse história toda são os comentários que ouço que quando ele sai sozinho com
ela. Ele é o cara! O super pai, o herói, o fodástico que sai com a filha sozinha e as
vezes até banho dá!!!! Um puta pai! Ok,ele é realmente um puta pai pra Lulu, mas
ele é um puta pai e eu sou uma coitada?
Soy yo que fico com a parte
punk, eu que seguro todos os rojões do mundo, todos os dias, eu que levanto a
madrugada toda e todas as madrugadas para atendê-la, eu que cuido das crises de
terror noturno dela, eu que faço almoço e janta, eu que levo ela na escola todos
os dias, eu que chego atrasada no trabalho todos os dias para fazer ela parar
de chorar na porta da escola... Enfim, eu faço tudo isso porque OPTEI por. Caralhos,
gente!
Não estou aqui pra levantar
uma bandeira feminista e queimar meu sutiã em praça pública mesmo porque se eu ficar sutiã,
entro em depressão. É um desabafo de uma mulher decepcionada com preconceitos idiotas em relação a essa minha
condição de doente contagiosa de mãe solteira que sou.
Mas como disse um amigo meu:
quando a gente tá feliz, a opnião dos outros
tem menos importância que um peido de vaca. Bem por aí, genz... bem por ai.
Então, seguremos- nos- vos-
pois mães solteiras e sigamos guerreiras e aparamentadas com escudos
psicológicos de maturidade. Isso inclui cuspidas nas caras de velhinhas naftalinizadas
e moçoilas muito bem casadas que dormem em cestos de rosas vermelhas, que vem meter o bedelho em nossa vida. Pisão
no pé também pode.